HISTÓRIA

As versões que contam a história dos papangus

No dicionário, o significado encontrado para a palavra papangu é “aquele que usa fantasia no carnaval ou em reisados; pessoa mascarada; indivíduo moleirão, bobo, apalermado”. Os papangus são figuras emblemáticas no carnaval de Bezerros, cidade do Agreste central, a 107 km do Recife. Mascarados e com roupas que cobrem todo o corpo, eles saem pelas ruas da cidade sem serem reconhecidos, fazendo brincadeiras e animando a festa momesca. O grande dia do encontro de papangus em Bezerros, onde milhares deles se juntam para dar colorido às ruas, é o domingo de carnaval, mas a festa é diversificada e dura os quatros dias de momo, com show’s e desfiles de blocos pelas ruas da cidade.

Um texto do professor Ronaldo J. Souto Maior, fundador do Instituto de Estudos Históricos, Arte e Folclore dos Bezerros, explica as origens do papangu. De acordo com o pesquisador, os primeiros papangus de Bezerros surgiram em 1881 e nasceram “de uma brincadeira de familiares dos senhores de engenhos, que saíam mascarados, mal vestidos, para visitar amigos nas festas de entrudo – antigo carnaval do século 19 –, e comiam angu, comida típica do Nordeste (Agreste) pernambucano. Por isso, as crianças passaram a chamar os mascarados de papa-angu”. Para Leonardo Dantas Silva, historiador e estudioso do carnaval pernambucano, o papangu era um mascarado doméstico, que não tinha máscara especial e podia sair até com fronhas na cabeça. “Eles saíam de porta em porta falseando a voz, fazendo visitas para comer o angu e espantavam as crianças. Hoje virou um grande desfile de máscaras”, comenta.

Em todo o Nordeste do país há registros desses personagens, entretanto, Bezerros passou a ser referência desse personagem, principalmente a partir dos anos 90, com o incentivo do então prefeito Lucas Cardoso (falecido), que resolveu trabalhar a temática dos mascarados na festa, já que eles eram númerosos pelas ruas da cidade no período de momo.

Atualmente, a máscara do papangu passou a ser confeccionada por artesãos da cidade e chega a servir de objeto de decoração. Ela é normalmente confeccionada com papel maché. Os papangus  se vestem com túnicas compridas, escondendo todo o corpo, e luvas, com o objetivo de não serem reconhecidos pelos foliões. Antes da folia, alguns papangus mantém a tradição e costumam comer angu feito pelos moradores da cidade.

Da redação, com informações também do G1

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